Protestos contra queimadas no Brasil em várias cidades suíças
Manifestantes protestando contra a onda de incêndios na Amazônia e a política ambiental do presidente brasileiro Jair Bolsonaro.
Sérgio Ferrari
Aproximadamente 150 pessoas organizaram um protesto espontâneo contra os incêndios na Amazônia em Berna, capital da Suíça. Os participantes caminharam nas proximidades da Embaixada do Brasil. Cantando e dançando, chamaram a atenção para a onda de incêndios que se alastram pelas matas do Norte e Centro-Oeste e já podem ser sentidos até no céu de São Paulo.
O protesto durou algumas horasLink externo e foi dissolvido sem contratempos. A polícia acompanhou o cortejo. Os organizadores criticaram a destruição de grandes áreas florestais no Brasil e a política ambiental do presidente Jair Bolsonaro. “Os crimes do governo põem em risco os nossos meios de subsistência e prejudicam irreversivelmente o meio ambiente. O movimento internacional do clima opõe-se claramente a estes crimes”, declararam.
Outras manifestações ocorreram também em Zurique, Basileia e Genebra. Os organizadores fazem parte do movimento mundial “Fridays for FutureLink externo“. Porém no comunicado enviado à imprensa, declaram que o protesto em Berna foi extraordinário. “Não pretendemos sair à rua todas as sextas-feiras, pois não vemos nenhum benefício estratégico nisso”, explica Lena Bühler. Os ativistas do clima na Suíça organização uma primeira greve nacional em 28 de setembro.
Protestos em Genebra
Uma centena de pessoas protestaram frente ao Consulado do Brasil em Genebra contra a política de Bolsonaro. Os manifestantes exigiram que a floresta amazônica seja salva, pois está “em chamas”.
“O atual governo não se importa com a floresta, pois só quer explorá-la”, declarou a imigrante brasileira Carla Silva Hardmeyer, representante do Comitê Lula Livre em Genebra. Assim como outros manifestantes, ela respondeu ao chamado do movimento global.
Muitos dos presentes na praça criticavam abertamente Bolsonaro. Um dos cartazes empunhados exibia os dizeres “Bolso + Trump = criminosos” e “Queimar fascistas e não as florestas”. A manifestação foi acompanhada pela polícia local. Os participantes bloquearam por alguns minutos o acesso à entrada do consulado.
Bombeiros em Porto Velho combatendo um incêndio na floresta em 18 de agosto de 2019. A região da Amazônia registrou mais da metade dos 71.497 incêndios detectados este ano, entre janeiro e agosto. É um aumento de 83% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).
Keystone / Porto Velho Firefighters Handout
“Nos últimos meses, os incêndios devastaram florestas e a tundra no Ártico. E agora os pulmões da terra estão sendo incendiados”, criticou Inès Marthaler, do grupo Fridays for Future, no comunicado enviado à imprensa. “O mundo inteiro vê. Não pode continuar assim! “, acrescentou.
Incêndios e desmatamento
Desde a posse de Jair Bolsonaro, dia 1º de janeiro de 2019, aumentou a frequência das queimadas na região da Amazônia. O presidente brasileiro declarou que ONGs seriam culpadas pela origem dos incêndios. Na quinta-feira, Bolsonaro acusou mais uma vez ativistas ambientais, que convocaram manifestações em várias partes do planeta.
Segundo a agência brasileira de notícias EBC, o presidente brasileiro admitiu que tem havido incêndios criminososLink externo e que, segundo ele, isso pode significar uma tentativa de afetar a soberania brasileira sobre a Amazônia. Ele comparou os incêndios no Brasil a outros que acontecem anualmente em regiões como a Califórnia, nos Estados Unidos.
Embora a dimensão e evolução dos incêndios na maior floresta tropical do mundo seja difícil de avaliar, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) relatou quase 2.500 novas queimadas em 48 horas em todo o Brasil. O desmatamento para abertura de pastos é a principal causa dos incêndios.
Qual é o impacto das mídia sociais no debate democrático?
As redes sociais moldam o debate democrático, mas até que ponto garantem um espaço realmente livre? Com moderação flexível e algoritmos guiados pelo lucro, o discurso se polariza. Como isso afeta você?
Este conteúdo foi publicado em
O 39º Festival Internacional de Cinema de Friburgo (FIFF) foi encerrado com um novo recorde de público. Ele também coroou um filme chinês como vencedor do Grande Prêmio de 2025: Black Dog.
Este conteúdo foi publicado em
No ano passado, 13.300 cidadãos suíços se mudaram para o exterior, elevando o número total de suíços no exterior para 826.700 (+1,6%). Três quartos têm mais de uma nacionalidade, mostram os novos números.
Ruptura nos relacionamentos ocorre um a dois anos antes da separação
Este conteúdo foi publicado em
Muitas pessoas se perguntam se seu relacionamento será duradouro. Existe um sinal claro de que ele pode acabar em breve, de acordo com uma análise com a participação da Suíça.
Governo suíço rejeita proposta para limitar a população
Este conteúdo foi publicado em
O governo apresentou seus argumentos contra uma proposta do Partido Popular Suíço para limitar a população a 10 milhões de habitantes.
Este conteúdo foi publicado em
A Finlândia continua sendo o país mais feliz do mundo pelo oitavo ano consecutivo. A Suíça está em 13º lugar, enquanto os Estados Unidos têm a classificação mais baixa de sua história.
Ex-executivo do Credit Suisse é multado por caso em Moçambique
Este conteúdo foi publicado em
O Departamento Federal de Finanças da Suíça multou o ex-responsável pela área de risco e conformidade do Credit Suisse em 100.000 francos suíços.
Se quiser iniciar uma conversa sobre um tema abordado neste artigo ou se quiser comunicar erros factuais, envie-nos um e-mail para portuguese@swissinfo.ch.
Consulte Mais informação
Mostrar mais
Suíça prevê acordo com Mercosul nos próximos meses
Este conteúdo foi publicado em
Em declarações à swissinfo.ch, o porta-voz do Departamento Federal de Assuntos Econômicos (SECOLink externo, na sigla em alemão), Fabian Maienfisch, confirmou que o processo está em sua reta final. Mas não deixou de destacar que um dos objetivos seria o de evitar que o Mercosul crie condições mais vantajosas para os produtos da UE, em…
Suíços do estrangeiro debatem no Rio sobre política helvética
Este conteúdo foi publicado em
O projeto #SWIontourLink externo levou uma equipe de jornalistas da swissinfo.ch ao Rio de Janeiro. Essa cidade litorânea, situada no Sudeste do país e maior destino turístico internacional no Brasil, também recebeu o primeiro consulado suíço fora da Europa e uma importante leva de migrantes, dos quais muitos descendentes já vivem há 200 anos no país. Uma cidade conhecida…
Este conteúdo foi publicado em
Clorpirifos e clorotalonil: Os nomes desses dois pesticidas são muito menos familiares ao público em geral do que o altamente contestado glifosato. No entanto, em junho, as autoridades suíças anunciaram sua retirada do mercado, após reavaliarem seus efeitos nocivos. “São moléculas antigas que foram introduzidas nos anos 60 e cujos problemas de saúde e ambientais…
Suíça soa alerta sobre situação dos direitos humanos no Brasil
Este conteúdo foi publicado em
“Pedimos ao governo brasileiro reconhecer o papel positivo das organizações não-governamentais na proteção dos direitos humanos e a se engajar pelos direitos das minorias, em especial dos povos indígenas da Amazônia”, declarou a delegação suíça diante da plenária da ONU. Além do Brasil, os diplomatas de Berna também citaram situações preocupantes no Mali, Chade e…
Este conteúdo foi publicado em
A Suíça pediu perante o Conselho de Direitos Humanos, em Genebra, que Bolsonaro que se comprometesse com os direitos das minorias. O governo do presidente brasileiro deve “reconhecer o papel positivo das ONGs”. O governo brasileiro deve trabalhar também pelos povos indígenas na Amazônia, disse aos Estados membros uma representante da missão suíça na ONU…
Empresa suíça é alvo de inquérito por suspeitas no Brasil
Este conteúdo foi publicado em
Cerca de US$ 15 milhões teriam sido pagos por parte de Finkel para garantir um contrato com a Casa da Moeda, no Brasil. A empresa SicpaLink externo fornece tintas de segurança para notas, prestação de serviço de controle numérico e rastreamento da produção de bebidas. Os pagamentos teriam ocorrido entre 2009 e 2015, resultado em…
Este conteúdo foi publicado em
Nas últimas semanas, cidades suíças receberam vários caciques em busca de visibilidade para suas causas, mas também, e principalmente, de um apoio real nos bastidores. Um deles foi Raoni, o primeiro a sair de suas terras há 30 anos e percorrer o mundo. Hoje, em sua sexta turnê internacional, ele já fala abertamente que precisa passar a responsabilidade para…
Procurador-Geral da Suíça manteve encontros secretos com a Lava-Jato
Este conteúdo foi publicado em
Recentemente, Lauber tem lutado contra as acusações de irregularidades sobre seu uso de reuniões informais não documentadas em sondagens sobre suposta má conduta na FIFA, a entidade máxima do futebol mundial. Rolf Schuler, advogado de Zurique representando um réu no caso brasileiro, disse ao NZZLink externo que Lauber, juntamente com outras autoridades, participou de reuniões não…
“As relações com o Brasil não mudaram com Jair Bolsonaro”
Este conteúdo foi publicado em
Surpreso com a quantidade de suíços e descendentes morando no Brasil, o ministro suíço das Relações Exteriores, Ignazio CassisLink externo, parece ter se sentido em casa, mesmo sendo a sua primeira visita ao país. Em uma série de encontros com representantes de colônias suíças e lideranças políticas e empresariais, ele seguiu ontem (25/4) para Brasília,…
Veja aqui uma visão geral dos debates em curso com os nossos jornalistas. Junte-se a nós!
Se quiser iniciar uma conversa sobre um tema abordado neste artigo ou se quiser comunicar erros factuais, envie-nos um e-mail para portuguese@swissinfo.ch.