Cada vez mais pessoas na Suíça manifestam o desejo de se suicidar com ajuda externa, mesmo se não são necessariamente doentes terminais.
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Nasci no cantão dos Grisões em 1978 e estudei alemão, economia e ciências políticas. Iniciei minha trajetória profissional como jornalista independente, colaborando com veículos de mídia local e regional. Posteriormente, fui editora-chefe do jornal Bündner Tagblatt e, mais tarde, da SWI swissinfo.ch. Desde 2019, atuo como diretora da SWI swissinfo.ch, a unidade internacional da Sociedade Suíça de Radiodifusão e Televisão (SRG SSR), além de integrar o conselho executivo dessa organização.
O suicídio é correto e faz parte da vida? Ou leva a uma pressão sobre idosos para dar precocemente um ponto final às suas vidas? Duas questões polêmicas levantadas na Suíça em meio ao debate sobre o suicídio assistido, que volta com uma certa constância. A explicação está na falta de uma regulamentação para o suicídio assistido na Suíça. Até hoje não existem práticas uniformes nos asilos de idosos e instituições de deficientes.
Porém o interesse em determinar o fim da própria vida é maior a cada ano. Mais de 1.200 pessoas optaram no ano passado na Suíça pelo suicídio assistido. É um terço a mais do que no ano anterior: segundo números do Departamento Federal de Estatísticas, em 2014 foram 742 pessoas (320 homens e 422 mulheres). Para comparar: em 2003 foram apenas 187 pessoas.
Cuidados paliativos como alternativa
Cuidados paliativos ocupam-se também da qualidade de vida nos seus últimos estágios. “Muitos familiares têm medo no início. Mas acompanhar seus parentes no seu caminho final traz muita proximidade. Você acaba refletindo bastante sobre a morte, o que é uma boa experiência para a nossa própria vida. Quem já passou por isso, tem menos medo da última viagem”, declarou o médico especializado em cuidados paliativos, Steffen Eychmüller, em uma entrevista para o jornal “Blick” há dois anos. Hoje os cuidados paliativos são vistos como uma alternativa ao suicídio assistido. A Universidade de Berna nomeou Steffen Eychmüller professor de cuidados paliativos, o segundo cargo de professor catedrático do ensino superior da Suíça.
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Grupos de suicídio assistido procuram lar
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Na Suíça, é ilegal realizar o suicídio assistido ativo através da administração de uma dose letal de alguma substância para aliviar o sofrimento de um doente terminal. Por outro lado, a lei suíça tolera o suicídio assistido quando uma pessoa administra a dose letal em si mesma e as pessoas que assistem não têm nenhum…
A aceitação do suicídio assistido aumenta na sociedade. As pessoas têm cada vez mais o sentimento de que essa é uma forma moderna de morrer. Para os críticos de organizações de eutanásia como a Exit ou a Dignitas, a pressão sobre as famílias, pelo contrário, foi subestimada. Muitos familiares sofrem de traumas depois de acompanhar um suicídio, como mostrou um estudo suíço realizado em 2012. A morte “natural” de familiar causa uma crise inicial, explica o estudo, mas que depois é superada.
Morrer durante sono induzido
Um estudo da Universidade de Zurique mostra que cada vez mais soníferos são aplicados nos últimos estágios da vida em hospitais suíços. Isso ocorre quando um paciente tem uma doença terminal, sofre de dores insuportáveis e quer terminar o sofrimento. A parte dessa “sedação terminal” cresceu fortemente na Suíça germanófona em um curto espaço de tempo. Foi o que demonstrou um estudo, mencionado há pouco pelo jornal NZZ am Sonntag. Em 2001, 4,7% dos falecimentos ocorreram durante o sono induzido. Em 2013 já eram 17,5 por cento. Também em comparação internacional esse número é bastante elevado, afirma o jornal dominical.
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