Estrangeiros ricos podem comprar permanência na Suíça
Obter uma autorização de residência suíça não é um processo fácil e apresenta regras rígidas. É o caso, principalmente, dos nacionais de países terceiros (não UE/EFTA). Mas o dinheiro pode ajudar imensamente.
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Nascido em Londres, Simon é jornalista multimídia que trabalha para a swissinfo.ch desde 2006. Fala francês, alemão e espanhol e cobre questões de ciência, tecnologia e inovação.
De acordo com um relatório publicado pelo jornal Aargauer Zeitung, nos últimos oito anos, 523 estrangeiros considerados “importantes para os interesses públicos” aproveitaram uma mudança na lei e obtiveram um visto de residência suíço. A distribuição por nacionalidade é a seguinte:
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Cerca de 23 dos 26 cantões do país aplicaram esta medida. O cantão do Ticino usou com mais frequência (200), seguido por Genebra (91), Zurique (41), Zug (33), Vaud (30), Obwalden (22), Valais (20), Basileia-Cidade (11), Basileia-Campo (5). Solothurn e os dois cantões de Appenzell foram os únicos que não tiveram procura.
Para preparar um pedido de residência e negociar com as autoridades, os interessados procuram a ajuda de consultores e advogados especializados em deslocalização, que podem custar mais de 50 mil francos suíços.
A obtenção de uma autorização para viver e trabalhar na Suíça depende de muitos fatores, incluindo de onde você é, sua formação e cotas. Os cidadãos da União Europeia e da Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) beneficiam geralmente da livre circulação de pessoas, enquanto os nacionais de países terceiros são sujeitos a requisitos mais rigorosos e cotas anuais.
Na maioria dos casos, os cidadãos que não pertencem à UE / EFTA precisam de emprego, mas ter dinheiro é uma ajuda enorme. Os aposentados ricos com laços preexistentes com a Suíça, ou pessoas financeiramente independentes com empresas, que pagam um imposto anual considerável e podem pagar honorários de advogados, podem ganhar vantagem.
Os estrangeiros ricos também podem negociar os chamados acordos de imposto de renda fixa em certos cantões. Nesses casos, é calculada uma soma equivalente a sete vezes o valor do aluguel da propriedade do contribuinte, desde que a pessoa receba sua renda do exterior.
Alguns nacionais de países terceiros ricos que desejam mudar de país foram ajudados por uma mudança na Lei Federal de Estrangeiros em 2008. A lei foi alterada para dar aos cantões mais liberdade e margem de manobra ao decidir quem recebe uma autorização de residência.
O artigo 30, alínea b, da lei federal estabelece que, nos casos de “interesse público importante”, os cantões podem conceder aos novos requerentes de países não membros da UE/EFTA derrogações aos requisitos de admissão estritos para obter um visto de residência B.
A cláusula “interesses públicos importantes” é um termo jurídico elástico. Refere-se a questões fiscais, mas também a questões culturais (artistas), políticas ou jurídicas. Em 2014, a Secretaria Federal de Migração disse ao jornal NZZ que os critérios geralmente significavam altos contribuintes.
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