Remédio contra AIDS alimenta esperança
Um novo medicamento desenvolvido pelo laboratório Roche pode impedir que o vírus da Aids (Sida) penetre no organismo. Mas o preço deve desanimar...
Resultados de pesquisa, divulgados na segunda-feira, 8/7, revelam que o remédio, denominado T-20, reduz bastante o HIV no sangue dos pacientes.
Segundo Roche, com sede em Basiléia, esse medicamento injetável – o primeiro de nova modalidade de remédios conhecidos como “fusion inhibitors” (lit. inibidores de fusão) – pode ser comercializado já no ano que vem.
Mas avaliações de custos, muito altas – de 10 a 12 mil dólares por paciente por ano – representa sério obstáculo ao tratamento.
Novo enfoque
Os medicamentos atualmente utilizados contra a enfermidade impedem proliferação do vírus depois que ele ataca a célula. O T-20 simplesmente veda entrada do HIV na célula.
Resultados de duas experiências clínicas, divulgados na Conferência Internacional sobre Aids, em Barcelona, mostraram que o T-20 era duas vezes mais eficaz para fechar o corpo ao vírus que as atuais terapias.
“Podemos demonstrar que os níveis de HIV no sangue diminuem significativamente quando o T-20 é combinado com um medicamento contra o vírus”, disse porta-voz de Roche, Alexander Klauser, em entrevista a swissinfo.
Na primeira experiência, em 37% dos pacientes que tomaram t-20 não se detectou vírus depois de 24 semanas, contra 16 pacientes que tomaram unicamente remédios à venda no mercado.
Um segundo estudo revelou índice de sucesso de 28% contra 14. A maioria dos pacientes integrados na experiência tinha sérios problemas de resistência…
Resistência a medicamentos
A resistência a remédios anti-Aids, resultante da rápida mutação de HIV, tem justamente aumentado.
Pesquisadores acham que a maioria dos pacientes desenvolveu resistência a pelo menos um medicamento. E quase um terço já não reage a coquetel de pelo menos três medicamentos.
“De 30 a 50% dos pacientes estão infetados com um tipo de vírus que se tornou resistente a um ou mais anti-retrovirais, reduzindo, em conseqüência, as opções de tratamento disponíveis”, realça Klauser.
Roche e a empresa norte-americana de biotécnica, Trimeris, que divulgou os resultados, planejam solicitar homologação do T-20 no segundo semestre à US Food and Drug Administration, que por sua vez prometeu reagir rapidamente.
Preços assustam
As duas empresas ainda não indicaram o possível preço do medicamento, mas Roche admite que será alto.
Na empresa, David Reddy, uma das pessoas mais competentes para falar do assunto, destacou que T-20 era a proteína mais complicada produzida por Roche até o momento: o processo exige 106 etapas da síntese química.
“Vai ser mais caro que outros remédios contra o vírus”, afirmou. Os mais dispendiosos tratamentos anti-retrovirais no mercado custam atualmente 11 mil dólares.
O remédio deve incrementar o debate sobre o quanto os países ricos desejam pagar por novos progressos no tratamento da Aids.
Possível vacina
Dada a complexidade proteínica do T-20, ele deve ser administrado por injeção (de preferência à pílula), porque pode perder sua eficácia no estômago antes de chegar à circulação do sangue.
Na conferência sobre a Aids nesta semana, em Barcelona, apresentam-se outras tentativas de combater a doença.
Uma das propostas é reconstituir o sistema imunizador que o vírus destrói. Enquanto isso, a empresa norte-americana VaxGen anunciou na segunda-feira, 8/7, que uma vacina pode ficar pronta dentro de 5 anos.
swissinfo/Vincent London
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